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SANTANA DO IPANEMA - É PEDRA DA BOA!!

29 Mar 2016   Publicado por Janine Falcão/PB

Dois geólogos 'achados' na sede do EENe 2016!!!

Escrito por Hugo Guimarães Filho

Visualizando o feriado da Semana Santa, Priscila e eu pensamos em fugir um pouco de Brejo e ir pra um pico de escalada mais distante. Por que não aproveitar para conhecer a próxima sede do EENE? Decidimos então viajar para Santana do Ipanema.
Após pegar o contato do Samuel, escalador local, e trocar umas mensagens, marcamos de sair pra escalar na sexta e conhecer um setor relativamente recente, a Pedra do Olho D’água. Nesse dia conhecemos Gabriel, Tilak, Adriana e Gegê, de Aracaju, além do Du Bois, Emerson e o próprio Samuel. Da nossa pousada seguimos de carro até o pico. A Pedra do Olho D’água é um pouco distante da cidade, indo por uma estrada de terra de fácil acesso para qualquer carro. Deixamos o transporte na porta da casa do Sr. Sirlânio, e fizemos uma trilha pequena até a base da pedra.

Confesso que, antes de chegar a Santana do Ipanema, fiquei um pouco decepcionado quando descobri que as rochas do local são os tão comuns “granitos”, já que no nordeste, esse grupo comum de rochas é encontrado aos montes. Porém, ao visualizar a rocha, foi perceptível a diferença na sua forma em relação aos locais que costumamos escalar. Muitos agarrões falsos, algumas pinças, barrigas e “balcões”. Neste dia fiz a Unidos Venceremos (VI) e penei um pouco pra entender como se fazia para subir. Parei no crux, um trecho que parece um bloco sem muitas agarras, e fiquei cerca de 10 minutos pensando como fazê-lo, e acabei desistindo por falta de ideias. Um tempo depois vi como o Du Bois mandou o crux e pensei “assim eu faço”, e com esse beta, mandei um movimento de boulder esquisito e saiu a cadena. Priscila também tentou guiar esta via, mas acabou levando sua primeira queda e decidiu deixá-la como projeto pro encontro. Projeto este que irei cobrar!

Após essa, mandei a Somos do Sul (VI) e dei uns pegas na Febe Rolinha (VISup), mas não consegui passar da segunda chapa desta última.
Um pouco mais tarde, Sr. Sirlânio surge da trilha com uma panela, trazendo almoço para todo mundo. No melhor espírito da pascoa, ele decidiu levar pra nós uma ceia tradicional e a gente, que tava na base do sanduíche e barra de cereal, comeu até encher o bucho!

No segundo dia, o comboio partiu para a Serra da Camonga, setor mais antigo de Santana. Como a galera de Aracaju sairia mais cedo, decidimos  passar o dia todo e fomos no nosso carro. Bom, não sei até que ponto foi sábio. A estrada tem o acesso complicado, com muitas ladeiras cheias de cascalho. O HB-20 deu conta do recado mas, fiquei com medo de rasgar um ou dois pneus nessa brincadeira, sem falar nos arrastos do chassi e no monte de cascalho que voava em baixo do carro. Soube depois que tem um outro acesso melhor para os carros, no entanto, pior pros escaladores devido sua trilha íngreme. Na próxima vou tentar a segunda opção.

A rocha da Serra da Camonga é diferente da Pedra do Olho D’água, e os tipos de escalada neste setor são muito diferentes, entre si, em grau e estilo. Negativo, aresta, reglete, platô… tem de tudo lá. Neste dia o Samuel, o Du Bois e o Emerson foram pra um setor novo abrir algumas vias em móvel, enquanto nós dois e a galera de Aracaju ficamos por nossa conta. Fiz a Extremamente Fácil (IV) pra aquecer, depois Feliz aniversário (V) e finalizei na Carlinhos (VI), porém essa última foi só até a primeira parada porque já tava meio tarde. Dessas três eu recomendo demais uma escalada na Feliz Aniversário, que tem como crux um teto irado pra fazer com umas pegadas em oposição até chegar de novo na sequência de agarrões. Essa tá na mente até agora. Quase na saída, encontramos com uma galera de Maceió que está iniciando na escalada. Eu ajudei o pessoal a montar um top rope na via Carlinhos, então seguimos pra pousada.

Na volta, estávamos ouvindo um barulho em baixo do carro. Pensei que alguma coisa tinha se soltado com as raspadas e os cascalhos batendo em tudo, mas não achei nada. Depois percebi que algumas marchas faziam barulho quando eu acelerava. “Ferrou a caixa de marcha?”, pensei. Achamos uma oficina aberta, coloquei o carro no elevado e vi que tinha um galho preso numa peça de proteção do carro. Puxei ela de lá, liguei, e tudo estava normal. Ufa! Desse perrengue nos livramos.

Saindo deste assunto, soube que havia uma polêmica sobre o tipo de rocha de Santana do Ipanema. Uns diziam que era granito, ou arenito, até basalto, e rolou uma pressão pra que Priscila e eu tirássemos a dúvida. Pelo que vimos no local, as rochas parecem ser um Monzogranito, na Pedra do Olho D’água, e um Sienito, na Pedra da Camonga. Ou seja, pra o terror de Cauí, ambos podem ser classificados como granitos ou granitóides, falando em termos bem (bem!!!) gerais. Entretanto mesmo sendo uma rocha “comum” no nordeste, o tipo de escalada em Santana do Ipanema é bastante peculiar para o que eu, um ainda mulambo, estou acostumado. Gostei demais e pretendo voltar ainda antes do encontro, pra mais uma investigação geológica aliada a mais escaladas.

No domingo nos despedimos de Santana do Ipanema, e partimos para o Rio São Francisco para fazer os tão falados psicoblocs. Saímos bem cedo e fomos pelo GPS mas, antes da entrada indicada, achamos uma placa e resolvemos seguí-la. Andamos bastante por uma estrada de terra quando vimos uma cachorrinha no meio da estrada, perdida. Resgatamos e levamos conosco. Ela tem cerca de dois meses e, por ter brotado do meio do mato, decidimos dar a ela o nome de Caipora. A chegada dela atrapalhou um pouco os planos da escalada nos arenitos do São Francisco, pois não tínhamos com quem deixá-la, então pegamos uma prancha de SUP e, nós três, demos um passeio pelo rio, parando nas caverninhas, nadando e vendo a geologia e a paisagem enquanto ela dormia nas nossas camisas.

Depois desse dia de paz, voltamos com o carro mais cheio e felizes de ter vivido tudo isso em Alagoas. E o Nordeste agora tem mais um cachorro na escalada!

Agradeço demais ao Samuel por nos receber, além de todos os outros que, citados ou não, fizeram parte da nossa viagem.

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CARNAVALIZANDO EM SANTANA DO IPANEMA!!

17 Fev 2016   Publicado por Janine Falcão/PB

Salve, salve comunidade escaladora!!

Cá estou eu trazendo mais uma vez notícias de Santana do Ipanema! E pra felicidade da geral, notícias sobre novas vias!!!!

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A ideia de passar o carnaval na sede do EENe já tinha sido traçada desde a última visita, em dezembro mas, de longe eu ia imaginar que a cidade de Santana do Ipanema tinha carnaval de rua, com direito a paredões e hit do ano, a metralhadora!!  tra-tra-tra-tra [rs]!

Felizmente, o objetivo da trip era outro tipo de folia, apresentar o pico pra mais alguns escaladores (PB, PE e MG) e dar aquela mãozinha ao Samuel no processo de preparar o pico para o nosso tão esperado evento. O que eu não sabia era que, contaríamos com reforços vindos diretamente de Aracajú (SE) e Arapiraca (AL). Formamos um bloco com 12 pessoas, ou seja, tinha que sair coisa boa desse mini EENe, rs!!

A festa foi garantida! Foram mais 3 dias de conquistas, onde o únicos hits escutados foram, o som da furadeira e as incontáveis gargalhadas da galera. O saldo do carnaval foi 7 novas vias equipadas, para todos os gostos!!!

Debaixo do solzinho ‘manso’, no domingo de carnaval, os trabalhos foram iniciados e no fim do dia tínhamos 3 novas vias na Serra da Camonga, no Setor Colmeia de Pedra.

As três vias em questão são curtinhas [no máximo 6 chapas], positivas, e de graduações beeeeem acessíveis [rs].. diferente das famosas e lindas vias de pinças, oposições, entalamentos e abaloados da Serra da Camonga. O nome das vias, já graduadas são, Finalmente Fácil (IV Sup), Extremamente Fácil (IV) e Realidade Mágica (IV), todas repetidas e aprovadas pela galera que lá estava, uns guiando, outros de top rope.

Na segunda feira o bloco se dividiu, mas, os trabalhos continuaram. Enquanto o bonde vindo da Paraíba se direcionou pra mais um dia de escalada, dessa vez nos cânions do Rio São Francisco, Samuel, Emerson e Henrique partiram rumo à Pedra do Olho D’água. E pelas mãos dos gaúchos, Emerson e Henrique, saiu a via Somos do Sul, no Setor Raízes de Pedra, a graduação sugerida foi VI grau.

Depois de 3 dias de escalada, no derradeiro dia, enquanto nos preparávamos para voltar pra vida real, Samuel e Emerson ainda tinham disposição sobrando e pra fechar o carnaval com chave de ouro, equiparam mais 3 vias na Serra da Camonga, dessa vez no Setor Red Rocks que, além de garantir um visual muito bonito, é totalmente diferente do setor principal da Serra da Camonga. No Red Rocks a coloração avermelhada da pedra lembra MUITO um arenito.

A vias do último dia de carnaval foram, Ianca (IIIsup), Cristina (IV) em homenagem  a esposa do Emerson [Sergipana arretada!] e por fim a Deuses Astronautas que, ainda precisa ser repetida, mas, que segundo Samuel, deve ficar algo na casa dos sétimos.

Carnaval foi de escalada, ralação e diversão!!!

Santana do Ipanema continua de portas abertas pra quem quiser dar uma mãozinha, uma seg, furar pedra e tal. Pros que não puderam aparecer no Carnaval, já já a Semana Santa tá aí!!!

Abração a todos que estão fazendo o EENe 2016 acontecer e a todos que estão acompanhando a batalha! ;)

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